Notícias sobre o Evento Belo Horizonte nos Trilhos

25/08/06
Proposta de um ‘SUS’ para o transporte coletivo encerra Seminário Belo Horizonte nos Trilhos
Os problemas crescentes do transporte coletivo no país estão a exigir um amplo debate que contemple, inclusive, a possibilidade da criação de uma alternativa próxima ao que foi adotado em relação à saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta foi feita durante a mesa redonda "Perspectivas & Desafios na Gestão e Organização Metropolitana", que encerrou o Seminário Belo Horizonte nos Trilhos, promovido pela CBTU e METRÔ-BH, dias 21 e 22, na capital mineira. Conforme o superintendente de Assuntos Metropolitanos da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Minas Gerais, Gustavo Machado, que lançou a proposta, não é possível que, como já ocorre em Belo Horizonte e outras capitais, 35 % ou mais usuários do sistema de ônibus tenham passado a se locomover à pé e, assim, permaneçam por incapacidade de fazer frente à tarifa do transporte coletivo.
A exemplo do SUS, o modelo que seria adotado para o transporte público envolveria a participação dos poderes municipal, estadual e federal. No caso da saúde, o primeiro responde pelas intervenções menos complexas, passando às médias no caso nos Estados e, cabendo à União, as ações de maior complexidade. O tema abordado por Gustavo Gomes era a Governança Metropolitana. Citou a Constituição de 1988 e discorreu sobre as funções de interesse comum, as alternativas de organização das diversas instancias em torno do transporte público, a legislação e o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado Coordenada pelo presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Minas Gerais (CREA-MG), Gilson de Carvalho Queiroz Filho, a mesa redonda teve a participação também do presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), João Luiz da Silva Dias e dos assessores da Secretaria de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais, Ramon Victor, e do METROREC, Sérgio Barbosa.
Ramon Victor falou sobre um o grupo constituído pelo governo de Minas, reunindo cinco secretários de Estado para a Governança Metropolitana constituída de cinco Secretários do Estado, com três focos principais: a estruturação das instituições metropolitanas, a definição das diretrizes e bases a serem seguidas e o vetor norte da RMBH.
Coube ao superintendente João Ernani Antunes Costa o agradecimento final às autoridades presentes ao econtro, entre elas Peter Alouche, consultor de Tecnologia de Transporte, Renato Pires Viegas, diretor de Planejamento e Expansão dos Transportes da Cia.do Metropolitano de São Paulo, Ozias Baptista Neto, consultor em Engenharia de Transporte e Trânsito, Oswaldo Cavalcanti da Costa Lima Neto, presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes de Transporte Urbano e Trânsito, ao presidente da CBTU, João Luiz da Silva Dias, aos coordenadores da SME e à organização do evento.

22/08/06
João Luiz defende destinação de parte dos impostos sobre combustíveis para custeio do transporte coletivo
“O transporte público no Brasil é uma tragédia”, afirmou o presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), João Luiz da Silva Dias, no encerramento, hoje (22), do Seminário Belo Horizonte nos Trilhos, promovido pela CBTU e METRÔ-BH. Para ele, o sistema de transporte urbano é excludente, de baixa qualidade e com graves problemas relacionados à sua sustentabilidade.
Segundo João Luiz, existe um grande desafio a ser encarado pelos governos federal, estaduais e municipais para resgatar a natureza de bem público do transporte coletivo. Disse que a sustentabilidade dos serviços de transporte pode ser conquistada através da implantação de um novo modelo fiscal, que destine os impostos sobre os combustíveis para o sistema de transporte. “Os governos não aplicam nada, quem aplica somos nós”, disse.
O quadro do sistema de transporte urbano no país é, segundo João Luiz, altamente deficitário. “São 35% de pessoas andando a pé, esperando na fila de ônibus inadequados e super lotados e falta de transporte no domingo. Estes constituem o verdadeiro déficit do setor”, explicou. João Luiz afirma que o transporte público no Brasil é excludente, deixando de transportar uma parcela significativa da população que não tem condições de arcar com o custo das tarifas, “que deve ser módico”. Ele ressaltou que o processo de integração de todas as pessoas ao sistema de transporte deve priorizar a qualidade e a eficiência, já que se trata de um bem público e orçamentário, ou seja, pago pelos próprios cidadãos através dos impostos. Mas, para ele a realidade é outra. “Está havendo uma diminuição da tarifa através do pioramento do serviço”, revelou.
O metrô de Belo Horizonte que, através da integração com linhas de ônibus está se configurando como um dos principais meios de transporte da capital, garante qualidade no serviço que presta aos seus usuários, diferentemente dos ônibus coletivos. Porém, o metrô sofre com o alto custo da operação que não é coberta pelo valor das tarifas. “Atualmente a taxa de cobertura é de 51%”, revelou João Luiz. O custo do metrô por passageiro transportado é de R$ 2,25, enquanto o do bilhete unitário é R$ 1,65.
Na oportunidade o presidente da CBTU disse que “não compete ao governo federal operar o transporte urbano”, defendendo a descentralização da gestão dos trens urbanos no país. Segundo ele, já existe a lei que permite que superintendência da CBTU de Belo Horizonte seja transformada em empresa, com liberdade de gestão gerencial, orçamentária e financeira. “Nós estamos em condições de pré-transferência”, finalizou.

22/08/06
Consórcio Metropolitano: Solução para o transporte e trânsito
No painel “Desafios da Organização Metropolitana”, o presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes de Transporte Urbano e Trânsito, Oswaldo Lima Neto, falou da Lei dos Consórcios Públicos que foi criada para definir normas na contratação desses consórcios, além de viabilizar projetos que envolvam, inclusive, transporte e trânsito. Oswaldo apresentou como exemplo, a experiência da cidade de Goiânia, que já tem implantado a gestão metropolitana, o que veio a proporcionar uma superação das questões referentes ao reordenamento urbano.
Entre os diversos benefícios proporcionados na implantação de uma gestão metropolitana, Oswaldo citou a criação da câmara de compensação; participação da comunidade; aproximação do município na gestão dos transportes; aumento da mobilidade e a otimização da frota. Mas, segundo ele, ainda falta garantir uma fonte de recursos para desenvolver as ações necessárias, além de resgatar a imagem do sistema de transporte público, melhorar os processos licitatórios e as relações internas.
A idéia do Consórcio Metropolitano que já está sendo desenvolvida na cidade do Recife, foi outro ponto apresentado por Oswaldo. O Consórcio, criado também para aperfeiçoar e capacitar a gestão do transporte público, coordenar as ações desenvolvidas na área e fortalecer o papel do município e tem, entre as funções, gerenciar e fiscalizar o funcionamento do transporte e trânsito na Região Metropolitana do Recife. O Governo do Estado funcionará como órgão maior dentro da estrutura do Consórcio Metropolitano, e os demais órgãos participarão como prestadores de serviço.
Um dos maiores objetivos do Consórcio é promover a integração entre os sistemas e o acesso dos municípios ao Sistema Estrutural Integrado – SEI, onde os usuários podem se deslocar por toda a Região Metropolitana, pagando apenas uma passagem e desfrutando de uma integração física e tarifária entre modais. “A organização metropolitana é uma tendência mundial. Todos estão voltados na busca por soluções que proporcionem maior integração e informação ao usuário”, afirmou.

22/08/06
Palestra discute alternativas de solução para o transporte urbano
A importância do transporte sobre trilhos como alternativa mais viável em corredores com grande demanda. Este foi o tema central da palestra “Metrôs, Metrôs Leves e VLTS: alternativas de solução para o transporte urbano com desenvolvimento sustentável”, ministrada pelo consultor de Tecnologia de Transporte, Peter Ludwig Alouche, no “Seminário Belo Horizonte nos Trilhos - Transporte e Desenvolvimento Urbano”, realizado nos dias 21 e 22 de agosto, na capital mineira.
Para o consultor, muitos governantes se equivocam no momento da escolha do transporte alternativo das grandes cidades. “É preciso saber a cidade que a gente quer. Queremos só transportar ou queremos qualidade de vida também?”, perguntou ele ao argumentar que, muitas vezes, certas escolhas são feitas por serem mais baratas em curto prazo. Para ele, o ideal é que haja uma sinergia entre os modos de transporte. “Nenhum sistema de transporte substitui outro. Cada um tem o seu lugar e sua aplicabilidade”, disse.
Ainda segundo Alouche, se as autoridades governantes não tomarem medidas drásticas e urgentes, no sentido de implantar nas grandes cidades, redes integradas de transporte público visando deslocamentos rápidos, confortáveis e seguros à população, nos próximos dez anos poderá se chegar a uma situação de total inviabilidade nestes grandes centros. “Temos que pensar: estamos construindo uma cidade para cinco anos ou 30 anos?”, alertou.
Outro ponto relevante ressaltado por Alouche durante a palestra, foi a importância de se ter, antes da tomada de decisão sobre o assunto, um projeto de engenharia financeira e de critérios que definam os benefícios e malefícios que uma alternativa de transporte pode trazer para uma cidade, região e país, tanto sob o ponto de vista econômico e financeiro, como sob o ponto de vista urbanístico e ambiental. “Só respeitando estes critérios, teremos cidades mais humanas”, afirmou.
Alouche encerrou parafraseando o filósofo Victor Hugo. “Se reconciliar definitivamente com a ferrovia, tanto urbana quanto de longa distância. É disso que o Brasil precisa para se tornar a potência que almejamos”.

22/08/06
Reunião do GTDU acontece em Belo Horizonte
O Grupo de Transporte e Desenvolvimento Urbano (GTDU), realizará sua quarta reunião, no dia 23, no auditório da CBTU de Belo Horizonte. Inseridas no tema "Estações", dez palestras serão apresentadas durante o Encontro, onde um dos principais destaques será a discussão sobre o acesso das pessoas com necessidade especiais nas estações. O Grupo vem buscando através de estudos e debates, mapear os problemas em diversos segmentos da ferrovia e na complexidade das cidades, para achar soluções que supram as necessidades dos usuários que utilizam os sistemas metroferroviário e das empresas que administram os diversos sistemas no País, bem como a população que vive nos grandes centros urbanos.
Para o coordenador do GTDU, Raul Maurício Cahet Lisboa, a CBTU, como todo órgão que presta serviço ao público, tem que estar preparada para esse atendimento. "Nós participamos de um processo amplo de todos os seus sistemas, analisando as condições dos deficientes no sentido da acessibilidade”, diz o coordenador. Para discutir o assunto, o palestrante Pedro Vitor - Gerente de Projetos da Companhia, em Belo Horizonte, que possui um amplo conhecimento sobre o assunto, e o professor e PHD em Design, Marcelo Guimarães, convidado pelo Grupo e portador de necessidades especiais, participarão do debate.
A reunião antes realizada em João Pessoa, Maceió e Natal, busca atrair convidados de outros Estados, como por exemplo, Rio de Janeiro e São Paulo, para enriquecerem e ampliarem as discussões e, em Belo Horizonte contará com o corpo funcional da CBTU de BH, não só para assistir as palestras mas, também, para participar trocando idéias e formando debates. “O legal desse grupo, é que ele é uma mistura de usuários com os políticos, com o projetista, o planejador, operador, então, o público é muito diversificado e a riqueza está nisso”, completa Cahet, que espera as melhores impressões possíveis, já que os aspectos que precisam ser discutidos não partem só das estações da CBTU, e sim de ferrovias e rodovias em geral. Acredita também, que a cada Encontro realizado os objetivos vão se incorporando e assim conquistando idéias e inovando núcleos para se empenharem em mudanças e adaptações.

22/08/06
Projetos de expansão do metrô de Belo Horizonte são apresentado em seminário
O plano diretor de transporte sobre trilhos em Belo horizonte, que propõe a expansão do metrô na capital, foi apresentando durante o Seminário Belo Horizonte nos Trilhos, pelo gerente de projetos do METRÔ-BH, o arquiteto Pedro Victor Noronha Renault. Além de apresentar os projetos das Linhas 2 (Barreiro/Hospitais) e 3 (Savassi/Pampulha), Pedro Víctor retomou o histórico destes projetos.
Várias alternativas de trajeto para as duas linhas foram discutidas durante a formulação do projeto, assim como o sistema elétrico, a via permanente, dentre outros aspectos fundamentais para a implantação dos novos trechos. O consórcio internacional Enerconsult (BR)/Árcade (Holanda) é a empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto. Pedro Victor apresentou os possíveis percursos que poderiam ter as duas linhas, os custos estimados para a implantação e os resultados de estudos de demanda, dentre outros.
Segundo o arquiteto, após a conclusão das duas linhas e a operação plena do metrô de Belo Horizonte, o número de usuários será superior a 700 mil usuários por dia, independente dos trajetos adotados para as duas novas linhas. Um dos objetivos principais dos estudos e da elaboração dos projetos para as Linhas 2 e 3, é a inserção do metrô no hipercentro da cidade e a racionalização do sistema de transporte público da região metropolitana de Belo Horizonte.

22/08/06
Transporte na RMBH é discutido no início do segundo dia de Seminário
O diretor-presidente da BHTRANS, Ricardo Mendanha Ladeira, iniciou, nesta terça-feira (22), o segundo dia de Seminário com a palestra “O Plano de Reestruturação do Transporte Coletivo de Belo Horizonte”, onde fez uma explanação sobre o que o se tem feito em relação ao transporte coletivo na RMBH e o que se pretende adotar no setor para que se tenha uma rede integrada entre os sistemas de transporte urbano.
Ricardo Mendanha pontuou as principais intervenções realizadas na região metropolitana que são: obra do programa Centro Vivo (Rua Caetés, Av. Alfredo Balena e Praças Sete e Estação); Vilas e Favelas (micro-ônibus transitam dentro das comunidades carentes da região); Estação aberta Bhbus - Lagoinha; Estação Oiapoque (Shopping Popular); Estação aberta Aarão Reis; Estações Barreiro, Diamante e Venda Nova. Foram também criados três corredores de ônibus nas Avenidas Paraná, Antonio Carlos e Cristiano Machado.
Ele citou o Controle Inteligente de Tráfego – CIT explicando que existe uma integração em tempo real do sistema de sinalização, relacionada ao volume do trânsito. Finalizando destacou que o projeto está em fase final e que a BHTRANS possui como objetivo para daqui a 10 anos, a construção da mobilidade urbana sustentável através de melhorias na qualidade de vida da população de BH; a inclusão social através do acesso a cidade; e a contribuição para a melhoria do ambiente mundial.
Na seqüência, o consultor em Engenharia de Transporte e Trânsito, Osias Baptista Neto apresentou o plano de Reestruturação do Transporte da RMBH: METROPLAN, uma parceria entre o Governo Federal, CBTU, Governo do Estado e Departamento de Estrada e Rodagem – (DER-MG). Como base em um estudo realizado em 2002, que demonstra que a Região Metropolitana teve um crescimento irregular, algumas alterações já foram colocadas em prática melhorando a mobilidade da população.

21/08/06
Fernando Pimentel destaca avanços do transporte coletivo em BH
O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Damata Pimentel, disse hoje (21), na abertura do Seminário Belo Horizonte nos Trilhos –Transporte & Desenvolvimento Urbano, que apesar do METRÔ-BH ter “caído de pára-quedas, a cidade replanejou o seu sistema de ônibus e levou os passageiros até o metrô”. Pimentel assegurou, que apesar do previsível caos no transporte urbano, todos devem ser otimistas, mas isso não significa que se deva colocar mais ônibus nas ruas, mas, sim preparar melhor todo sistema de transporte de passageiro da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
“Belo Horizonte padece de um pecado original. No projeto de sua fundação, já se contemplava o Veículo Leve sobre Trilhos (VLTs) da época, que era o bonde no meio de suas boulevards. Hoje nós estamos recuperando um atraso de muitos anos, e na direção certa”, afirmou o prefeito da capital mineira.
A prefeita de Contagem, Marília Campos, também presente à abertura do encontro, que contou, ainda com a presença do ministro das Cidades, Márcio Fortes, e outras autoridades, destacou a importância do metrô, falando sobre a melhoria que o sistema trouxe para o transporte coletivo na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “Se por um lado, a população de Contagem cresce e as distâncias continuam grandes entre o trabalho e nossas casas, não tenho dúvidas de que os milhares de contagenses que embarcam diariamente na Estação Eldorado têm um transporte muito mais digno, seguro e acessível”.
A prefeita, Marília Campos afirmou que a expectativa da população de Contagem se volta para a ampliação dos serviços do metrô para que o transporte coletivo na região metropolitana ganhe, ainda mais qualidade. Para ela “um desafio que só pode ser vencido com a integração dos sistemas modais existentes e com esforço coletivo de todos os órgãos das esperas municipal, estadual e federal”.
O Seminário Belo Horizonte, que prossegue até amanhã no auditório do CREA-MG, discute os desafios da organização urbana e a rede de transporte na região metropolitana de Belo Horizonte. O sexto evento da Série A CIDADE NOS TRILHOS, propicia uma visão geral das alternativas de solução para o transporte urbano com desenvolvimento sustentável.

21/08/06
Realizações do METRÔ-BH elevam embarques em 30%
O superintendente do Metrô de Belo Horizonte (METRÔ-BH), João Ernani Antunes Costa, anunciou, nesta segunda-feira (21), em palestra no Seminário Belo Horizonte nos Trilhos – Transporte e Desenvolvimento Urbano, que a partir desta semana o sistema já estará operando com média diária de 140 mil embarques/dia, volume 30% superior ao registrado em igual mês do ano passado, quando a média diária, se mantinha em 107 mil usuários.
Aquele crescimento, segundo João Ernani, deve principalmente às aplicações em curso dos R$ 92,3 milhões assegurados ao METRÔ-BH, para este ano, pelo Plano Piloto de Investimentos em Infra-estruturas (PPI) do Governo Federal, à operação plena da Linha 1 (Eldorado/Vilarinho) e às sucessivas novas integrações com linhas de ônibus, atendendo à população de mais municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
O superintendente do METRÔ-BH citou, ainda, como outras recentes medidas que contribuíram para os recordes constantes de usuários a ampliação do horário e da frota de trens em circulação (18 no horário de pico), redução dos intervalos para até cinco minutos, a bilhetagem automática com cartão inteligente e a entrega do novo saguão de acesso à Estação Central. Com a inauguração, no prazo de dois anos, da Estação de Integração e Centro Comercial do Vilarinho, já em implantação, a previsão é de o movimento alcançar 220 mil passageiros por dia.
Ressaltou, também, que novos e antigos usuários do metrô estão sendo beneficiados com a implantação de facilitadores de acesso, como novos elevadores e escadas rolantes nas estações Lagoinha, Central e São Gabriel, previstos para outubro; passarela já ligando a Estação Gameleira ao Parque de Exposições; ampliação viária da Rua Conselheiro Rocha, na Estação Horto, mediante convênio com a Prefeitura de Belo Horizonte; piso podotátil, especial para orientação de deficientes visuais, na Estação Vila Oeste; e modernização e ampliação em curso da Estação Eldorado.
Única alternativa
“Quando nos deparamos com o caos do transporte urbano em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, temos a certeza de que não existe outra alternativa para a solução do transporte que não seja a adoção de sistemas metroviários”, afirmou o superintendente. Para ele, a estagnação dos grandes centros gera impactos diretamente relacionados com a qualidade de vida do cidadão. “Quanto mais os veículos trafegam nas ruas, pior a qualidade do ar que respiramos, maior a emissão de gases na atmosfera e mais estridente o barulho nos nossos ouvidos”.
Explicou, ainda, que sem alternativa, o cidadão transforma-se numa presa fácil deste sistema: perde-se um tempo precioso nos deslocamentos, desfruta menos a vida com os familiares, amigos ou no lazer e caminha para ser mais uma vítima nas estatísticas do estresse. Outra decorrência nefasta dos engarrafamentos constantes, segundo lembrou, é conduzir o país a gastar bilhões em combustíveis e obras públicas para contornar o grave problema do trânsito, tornando a vida cada vez mais cara.
João Ernani destacou, também, que em um período de cinco anos, se a economia do Brasil crescer em torno da taxa de quatro por cento, a circulação de veículos nas grandes cidades irá duplicar. Para ele, neste quadro, o metrô é a única alternativa para o transporte seguro e eficaz de todos os cidadãos.
Com a ampliação da Estação Eldorado, os investimentos na Estação Vilarinho e aumento da integração ônibus-metrô, o sistema passará a atender 220 mil usuários/dia. João Ernani assegurou que o METRÔ-BH, a CBTU e o Ministério das Cidades estão empenhados em viabilizar as Linhas 2 e 3. “É um grande desafio, vai exigir uma complexa engenharia financeira para viabilizar os recursos com vistas a levar o metrô até o Barreiro e criar a linha Pampulha/Savassi, percorrendo de forma subterrânea as avenidas Antônio Carlos e Amazonas ao Centro da Cidade, beneficiando 800 mil usuários por dia”, afirmou.

21/08/06
João Luiz diz que transporte urbano vive apagão
“O transporte urbano vive um apagão há vários anos”. A metáfora, comparando o black out experimentado pelo sistema elétrico no país em 2001, foi o recurso utilizado pelo presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), João Luiz das Silva Dias, hoje (21), no Seminário Belo Horizonte nos Trilhos – Transporte & Desenvolvimento Urbano, na capital mineira, ao se referir aos problemas enfrentados pelo setor.
Segundo o presidente, apesar dos constantes problemas de mobilidade e congestionamento do tráfego nas grandes metrópoles, o sistema de transporte coletivo do País não está se preparando para enfrentar as decorrências de uma demanda cada vez mais crescente. “Temos um quadro extremamente ameaçador. Precisamos, urgentemente de investimentos porque o País está se preparando para ingressar numa fase de crescimento elevado. Este é o momento de repensar o gargalo que vive o transporte no Brasil”, afirmou.
João Luiz revelou que não entende como se constrói 15 km de metrôs por ano em Madri, enquanto no Brasil o desempenho é de apenas 1,5 km no mesmo período. “Em Belo Horizonte temos 35% da população andando a pé. Com tarifas altas, levamos a exclusão ao sistema de transporte e isso é uma realidade ameaçadora”, desabafou. Ele acredita que, com o crescimento de 5,6% ao ano, essa realidade pode ser mudada. Ao concluir a explanação, assegurou que “o que se busca é, pelo menos, nos preparar melhor para enfrentar o crescimento da demanda e garantir a acessibilidade das pessoas”.

21/08/06
Márcio Fortes lembra que equacionamento financeiro da expansão só com projeto de engenharia concluído
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, disse, nesta segunda-feira (21), em Belo Horizonte, que o equacionamento financeiro e as obras de expansão do METRÔ-BH só serão iniciadas após estar concluído o projeto já em curso de engenharia. Ele não afastou a possibilidade de recorrer ao capital estrangeiro para financiar a obra. Fortes participou da abertura do Seminário Belo Horizonte nos Trilhos, que discute até amanhã as alternativas para o transporte coletivo da cidade.
O ministro lembrou que parte da Linha 1 (Eldorado/Vilarinho) foi financiada pelo Banco Mundial (BIRD), um dos bancos de fomento internacional com o qual deverá ser negociado um possível novo financiamento. Trata-se da implantação dos projetos já em desenvolvimento das Linhas 2 (Barreiro/Hospitais) e 3 (Pampulha/Savassi). Fortes defendeu o não início de qualquer obra antes de terminar as anteriores.
Preocupado em concluir o planejamento antes do início das obras de expansão, o ministro das Cidades criticou a forma como o metrô teve iniciada a sua implantação. “Na época, década de 80, o Governo Federal utilizou a linha férrea já existente, sem levar em conta o adensamento populacional e a área para a qual a cidade estava crescendo”. De acordo com Fortes, as novas Linhas a serem implantadas, seguem a direção correta ao passar pelo Centro e pelas regiões mais habitadas de Belo Horizonte, conforme estudos realizados.
Disse que, dos R$ 92,3 milhões previstos no Plano Piloto de Investimento (PPI) para investimento este ano na Linha 1, já foram liberados R$ 58 milhões, aplicados em pequenas ações como desapropriações, revitalização de estações, aquisição de um sistema mais moderno de freios, construções de passarelas, dentre outros.
Também o presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), João Luiz da Silva Dias, informou, durante a abertura do encontro, que os projetos das Linhas 2 e 3 “terão um planejamento cuidadoso, de forma a assegurar o tempo ótimo de execução, minimizando custos e transtornos para a população. O ponto de partida –prosseguiu- é o desenvolvimento dos projetos de engenharia das duas linhas, simultaneamente à retomada da implantação da faixa de domínio, com toda a infra-estrutura, entre o Barreiro e o Calafate.”
Segundo ele, a estruturação da etapa posterior, que significa seu financiamento e execução, somente ocorrerão após a operação plena da Linha (Eldorado/Vilarinho) e a infra-estrutura pronta do trecho em superfície, de 10 km, do trecho Barreiro/ Calafate, da Linha 2. Ressaltou João Luiz que o ramal Barreiro/Calafate foi iniciado fora do escopo do projeto BIRD e do Convênio de Regionalização em 1998.
Lembrou que o Plano Diretor de Transportes sobre Trilhos, incluído no projeto do Banco Mundial (BIRD) identifica como prioritárias as Linhas 2, ligando o trecho Barreiro/Calafate à Região Hospitalar, e 3, ligando a Pampulha à Savassi, atendendo ao Mineirão e ao campus da UFMG.
“Estamos considerando três anos de planejamento do empreendimento para uma execução, no máximo, em quatro anos, o que será um fato inédito no Brasil, implantar-se 30 km de metrô neste prazo”, informou o presidente da CBTU, ressaltando ser este procedimento corriqueiro em outros países da Europa e Ásia, e uma imposição em termos de custos internalizados e de custos sociais. Obras urbanas no centro das grandes cidades ou em corredores causam grandes prejuízos à circulação e ao comércio, que não são usualmente consideradas nos orçamentos dos projetos (custos sociais).
Segundo João Luiz Dias, é tecnicamente viável a concretização deste objetivo pela engenharia nacional e a estruturação financeira deste empreendimento, embora seu valor, hoje estimado em US$ 1,5 bilhão e meio, cerca de R$ 3,5 bilhões, “nos pareça, neste momento, inalcançável, é economicamente viável pelas relações de custos e benefícios. Será o nível de investimentos que teremos que realizar em metrôs nas principais cidades brasileiras necessariamente, como uma imposição da mobilidade e eficiência urbana, com um país crescendo a taxas anuais de 6 a 7%”, acrescentou.
Os projetos básicos de engenharia das Linhas 2 (Barreiro/Hospitais) e 3 (Pampulha/Savassi) do METRÔ-BH estão sendo desenvolvidos pelo consórcio internacional Enerconsulte (BR)/Árcades (Holanda), vencedor de licitação aberta pela CBTU e contratado em julho de 2004, pelo valor de R$ 8,984.856,00. A duas linhas totalizam 30 km e estão orçadas em US $ 1,5 bilhão, com prazo de implantação previsto para se realizar em quatro anos, a partir de data ainda dependente do equacionamento financeiro, que só é viável após a existência do projeto de engenharia. A Linha 2 compreende cerca de 7 km os em superfície, do Barreiro ao Tereza Cristina e perto de 11 km subterrâneos daí à Estação Santa Tereza, passando pela Região Hospitalar, com 14 estações, e, a Linha 3, 12,5 km, também subterrâneos, com 12 estações.
História
O trem metropolitano de Belo Horizonte foi preconizado na década de 70, simultaneamente aos de Recife e Porto Alegre, dentro da proposta identificada como “metrôs de superfície”. A estratégia era tirar partido das linhas férreas existentes cortando o centro das cidades, com seus sistemas de transportes de passageiros suburbanos, que seriam modernizados, receberiam duplicação das linhas para completa segregação entre o Trem Metropolitano e os de carga, vedação das vias com eliminação de passagens de nível, tudo a um custo de implantação relativamente baixo, pelos menores custos de desapropriações. As despesas seriam ainda significativamente menores se considerado que, em verdade, eram dois produtos: a passagem dos trens de carga pelas capitais, quando se defendia a erradicação das linhas, e a modernização dos subúrbios.
No caso de Belo Horizonte, o produto principal era a ferrovia, por ser Belo Horizonte o maior estrangulamento na malha ferroviária entre o nordeste e São Paulo, e também por ser o subúrbio de passageiros extremamente modesto, não só comparado com Rio e São Paulo, mas mesmo com Recife, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza. Por isso, para João Luiz, não há que se falar em “erro histórico” na sua construção. A principal deficiência, como metrô de superfície, assim denominado, era tangenciar o hipercentro de Belo Horizonte, e percorrer eixos pouco adensados. Esta deficiência é progressivamente corrigida pela inserção do metrô na rede de transporte de Belo Horizonte, a partir da reformulação de seu sistema iniciado em 1997, com o metrô sendo inserido como uma linha troncal, e agora, na rede metropolitana, com a reformulação pelo Estado de Minas”, acrescentou.
O marco inicial da construção do Metrô BH foi a implosão da Feira dos Produtores, em outubro de 1981, onde é hoje a Estação Lagoinha. Cinco anos depois, no dia 1º de agosto de 1986, tinha início a operação comercial da Estação Eldorado até a Estação Lagoinha. No ano seguinte foi inaugurada a extensão até a Estação Central. A partir daí o projeto sofreria descontinuidade pelos problemas de financiamento que acompanharam à moratória do Plano Cruzado. Só em 1991, a Rede Ferroviária, com o apoio e interesse da Vale do Rio Doce - da Estrada de Ferro Vitória Minas – o projeto teria prosseguimento, com a extensão até a Estação Santa Efigênia (1992), Estação do Horto (dez/1992), Santa Tereza (dez/93), Santa Inês (nov/94), José Cândido da Silveira (abr/97), Minas Shopping (abr/97) e finalmente, São Gabriel (jan/02), a última das estações previstas no convênio de regionalização firmado em 1991 entre o Governo Federal, o Estado de Minas Gerais e o Município de Belo Horizonte.
Em 1994, foi definida pela CBTU com o BIRD um projeto de 198 milhões de dólares para concluir o projeto da Linha 1, com a montagem dos dez trens, ainda faltantes, com a implantação de escadas rolantes e elevadores nas estações, com a construção de mais duas estações, Vila Oeste e Entroncamento (Nova Rodoviária), e principalmente, estendendo a linha até a entrada de Venda Nova, no encontro entre as avenidas Vilarinho, Pedro I, Cristiano Machado e a Via Norte. Foram quatro novas estações implantadas (1º de Maio, Waldomiro Lobo, Floramar e Vilarinho, onde está sendo implantado o maior terminal de ônibus da região metropolitana de Belo Horizonte).

21/08/06
Começa o BH nos Trilhos
A sexta edição da Série “Cidade nos Trilhos” foi aberta na tarde desta segunda-feira (21), no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA-MG), na capital mineira, com o Seminário “Belo Horizonte nos Trilhos – Transporte e Desenvolvimento Urbano. Mais de 260 pessoas participaram da solenidade de abertura do evento, que contou com as presenças do ministro das Cidades Márcio Fortes; o presidente da CBTU, João Luiz da Silva Dias; o prefeito da Capital, Fernando Pimentel; da prefeita de Contagem, Marília Campos; e do superintende do METRÔ-BH, João Ernani Antunes Costa.
Para uma platéia constituída de representantes do setor de transportes urbanos, o chefe do Departamento de Marketing e Comunicação (Demac), da Administração Central da CBTU, Bernardo Galvão, apresentou a Série e seus objetivos. Em seguida, o ministro Márcio Fortes falou sobre a importância da continuidade dos projetos em andamento e assegurou que as obras de expansão só serão iniciadas após a conclusão de todas as análises de viabilidade econômica e garantia dos recursos. Já o presidente da CBTU, João Luiz das Silva Dias, alertou para a necessidade de se investir no transporte ferroviário de passageiros, já que ele entende que o setor de transporte urbano em Belo Horizonte vive um “apagão”, por falta de investimentos e preparos para enfrentar a demanda.
O prefeito Fernando Pimentel disse que o evento “Belo Horizonte nos Trilhos” chegou à capital mineira no momento adequado e que a cidade padece de um projeto que contemple o transporte urbano. Já a prefeita de Contagem, Marília Campos assegurou que as obras de melhorias na estação Eldorado juntamente com as novas concessões do transporte urbano trará melhorias consideráveis para a população do seu município.
Para concluir as explanações na mesa principal, o superintendente do METRÔ-BH, João Ernani, falou sobre investimentos, melhorias e expansão do metrô em Belo Horizonte.
18/08/06
Presidente da CBTU fala sobre situação atual dos sistemas de trens e metrôs
As vésperas do Seminário Belo Horizonte nos Trilhos – Transporte & Desenvolvimento Urbano, que acontecerá nos dias 21 e 22 de agosto, no auditório do CREA em Minas Gerais, o diretor-presidente da CBTU, João Luiz da Silva Dias, faz uma explanação sobre as perspectivas da Companhia; a transferência dos sistemas de trens urbanos para os governos estaduais e municipais e, ainda, sobre os investimentos, financiamentos e ampliação do transporte sobre trilhos.
Na entrevista, ele faz um balanço da situação dos sistemas de metrôs e trens da CBTU, inclusive, destaca a necessidade de um comprometimento maior com o setor de transporte urbano, não só em relação as políticas públicas, mas com o próprio planejamento urbano. Na matéria constam algumas perguntas das jornalistas Sabrina Valle, do Globo Online e Angela Cantone, da Revista Ferroviária.
Pergunta - Como a CBTU está lidando com a estadualização e municipalização que está acontecendo nos sistemas de trens urbanos antes controlados pela Companhia?
João Luiz - A transferência dos sistemas para os governos locais é um programa que a CBTU executa como sua missão. Visa dar aos sistemas uma gestão comprometida não só com a política de transporte público local, mas com o próprio planejamento urbano. A CPTM é o nosso melhor exemplo do acerto do programa. Procuramos trabalhar para que todos possam ter destino semelhante, não só os ainda em processo de transferência – Belo Horizonte, Recife, Natal, João Pessoa e Maceió – mas os já transferidos como o do Rio de Janeiro (SUPERVIA e CENTRAL), Fortaleza (METROFOR) e Salvador (CTS). Nosso objetivo não é operar metrô à distância, mas apoiá-los tecnicamente e nas soluções de financiamento.
Pergunta - Em que estágio está o processo de transferência dos sistemas operados pela CBTU ?
João Luiz - Os Trens Metropolitanos de Belo Horizonte e do Recife estão nos ajustes finais com vistas à transferência da gestão para os governos locais. Embora os acordos celebrados previssem as transferências quando os investimentos atingissem a 60% dos projetos, o grande atraso nas suas execuções, que deveriam estar totalmente concluídos em 2001, ensejou a rediscussão dos acordos, sobretudo quanto a sustentabilidade projetada. Os outros três sistemas, de Natal, João Pessoa e Maceió, hoje de pouca relevância local, estão sendo estudados em um escopo amplo, que identifique sua contribuição dentro da política urbana e regional. O aproveitamento das linhas com um equipamento leve, amigável na circulação viária, sem a trepidação e poluição sonora dos nossos trens, e os transtornos das passagens de nível, poderá ser a viabilização técnica e econômica destes sistemas. Eles poderão alavancar o projeto trens de vizinhança, que vem sendo desenvolvido pelo Governo Federal – Ministérios dos Transportes e das Cidades, CBTU e BNDES – e a indústria ferroviária, de se produzir no país um Veículo Leve sobre Trilhos, VLT, transvia ou bonde moderno, largamente utilizado sobretudo na Europa.
Pergunta - Quando deve ser encerrado o processo de transferência e o que acontece com a CBTU depois disso?
João Luiz - Embora não haja um prazo estabelecido para a conclusão das transferências, o processo deve ser acelerado, podendo incluir uma etapa intermediária, em que a empresa cindida seja ainda federal, com a participação acionária e na gestão do governo local. Nos termos da Lei 8.878/94, que estabeleceu as regras da regionalização, a CBTU será extinta após a transferência do último sistema. Mas, este dispositivo legal poderá ser revisto na medida em que se demonstre a necessidade de uma agência federal, com expertise em sistemas urbanos sobre trilhos, para apoiar o desenvolvimento do setor, inclusive cobrindo problemas de perda de escala resultante da descentralização. Para tanto, devemos desempenhar competentemente nossa missão da descentralização, formatando adequadamente os projetos de Natal, Maceió e João Pessoa, e concluindo bem os de Belo Horizonte e Recife. Mesmo os projetos de Fortaleza e Salvador, já transferidos, mas que seguem em processo de implantação ou modernização, com recursos federais, a CBTU apóia, supervisiona e fiscaliza. Cumpre-nos fazê-lo qualificadamente.
Pergunta - Por que não se investe mais nos metrôs?
João Luiz - As restrições fiscais ao aumento dos gastos públicos, inclusive investimentos, que limitavam também o andamento dos projetos de ampliação e modernização dos trens urbanos, vão sendo gradualmente reduzidas. O Projeto Piloto de Investimentos em Infra-estruturas, PPI, é um passo nesta direção, selecionando projetos estratégicos, de elevada taxa de retorno, interna ou externa. No primeiro ano do PPI, 2005, foi selecionada a conclusão da Linha 1, Eldorado/Vilarinho, do Metrô de Belo Horizonte. No final ainda de 2005, fez-se um remanejamento de recursos contabilizados no PPI para os Metrôs de Fortaleza e Salvador, que foram também incluídos no orçamento do PPI 2006 e serão no 2007, de forma a que possam concluir um estágio expressivo destes empreendimentos. Embora não tenha ainda havido acordo com o Governo de Pernambuco, quanto ao Metrô do Recife, o Governo Federal aportou um crédito extraordinário da ordem de R$ 78 milhões para assegurar o andamento do projeto, enquanto prosseguem os estudos, visando a transferência da gestão do sistema. No total, entre o programado no PPI de 2005 a 2007, e o crédito extraordinário - que também acrescentou R$ 9 milhões ao projeto do Metrô de Belo Horizonte - temos um bilhão e sessenta e oito milhões de reais aplicados nos quatro projetos. Não estão aí considerados os investimentos realizados nos metrôs de São Paulo e Rio de Janeiro, nos trens metropolitanos destes dois estados, a CPTM e a Supervia, e ainda no Metrô do Distrito Federal, com os recursos fiscais dos Estados, ou de empréstimos do BNDES e Banco Mundial, embora também eles, os Estados, sofram os constrangimentos da gestão fiscal.
Pergunta - Quais os entraves para a ampliação desse transporte urbano?
João Luiz - O maior entrave aos investimentos em transporte urbano no Brasil, e aí com ênfase para os sistemas de maior capacidade e qualificação, como os metrôs, é o modelo fiscal utilizado, em que o custo de produção, inclusive depreciação e remuneração do investimento, deverá ser coberto exclusivamente pelos "passageiros equivalentes". Seja dizer, a tarifa é definida como o custo médio por passageiro pagante, excluindo-se, portanto, os passageiros beneficiados com gratuidades, como os idosos, e computando-se proporcionalmente os passageiros beneficiados com desconto. Estudantes, por exemplo, onde pagam meia passagem, são computados como equivalentes a meio passageiro. Se não pagam, não são computados no cálculo do custo médio por passageiro, para determinação da tarifa. Portanto, são dois efeitos perversos. Primeiro, definir-se a tarifa, a remuneração da operadora, como custo médio por passageiro. Segundo, agravá-la com a política social, as gratuidades, que é um ônus a ser suportado pela sociedade como um todo, ou pelos contribuintes de maior capacidade de pagamento, que não são, necessariamente, os usuários do transporte público. Em todos os países desenvolvidos, com uma população de renda maior do que a nossa e mais bem distribuída, o transporte público urbano, como bem público, que não admite exclusão, é subsidiado. Apenas o Metrô de São Paulo e a CPTM não tem o segundo efeito perverso, com o Estado bancando as gratuidades. Quarenta por cento da população dos grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, se desloca a pé, excluídos do transporte público pela incapacidade de pagamento e pela sua baixa qualidade, que também é função da incapacidade de pagamento da população.
O diretor-presidente da CBTU, João Luiz estará participando do Seminário Belo Horizonte nos Trilhos apresentando a palestra "O METRÔ de Belo Horizonte no contexto da nova legislação metropolitana", no dia 22 de agosto. Participará, também, da Mesa Redonda "PERSPECTIVAS & DESAFIOS na gestão e organização metropolitana".

21/07/06
Transporte e Desenvolvimento Urbano será discutido em Belo Horizonte nos Trilhos
O Seminário Belo Horizonte Nos Trilhos será a sexta edição da série A Cidade nos Trilhos, que acontecerá nos dias 21 e 22 de agosto, no auditório do CREA de Minas Gerais. O evento, que é promovido pela CBTU e estará inserido nas comemorações dos 20 anos de operação do Metrô de Belo Horizonte, discutirá os desafios da organização urbana e a rede de transporte da região metropolitana de BH.
O encontro propiciará uma visão geral das alternativas de solução para o transporte urbano com desenvolvimento sustentável, além da discussão sobre os consórcios públicos na organização metropolitana. Na oportunidade, será realizada, em 23 de agosto, a 4ª Reunião do GTDU - Grupo de Transporte e Desenvolvimento Urbano, no auditório do Centro de Controle Operacional - CCO do Metrô.

11/07/06
Grupo de Transporte e Desenvolvimento Urbano realiza reunião em BH
A 4ª Reunião do Grupo de Transporte e Desenvolvimento Urbano – GTDU, será realizada no dia 23 de agosto, em Belo Horizonte, logo após o seminário Belo Horizonte nos Trilhos. Com o tema central “Estações”, como ficou definido na última reunião do Grupo, em Natal, os trabalhos, segundo os organizadores do evento, serão discutidos porque as Estações são a “porta de entrada” do sistema ferroviário, e merece especial atenção.
Serão analisados os aspectos de projeto, localização, imagem, captação de demanda, interferência e integração ao ambiente urbano, segurança e controle, comercialização de espaços, acessibilidade, equipamentos de integração intermodal, entre outros.

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