O MOMENTO ATUAL DO SETOR METROFERROVIÁRIO
NO BRASIL
O setor metroferroviário brasileiro atravessa
uma fase na qual se destaca uma coexistência de perspectivas
novas e animadoras com os conhecidos e crescentes problemas
encontrados nos transportes urbanos em nosso país.
Não há qualquer sentido de novidade no reconhecimento de
que as cidades brasileiras convivem, em especial os grandes
centros, com amplas e muito fortes deficiências no campo
dos transportes de passageiros. E também, como conseqüência,
que tais deficiências apresentam relações diretas com as
condições inadequadas constatadas na ocupação do solo, contribuindo
para a existência de níveis igualmente inadequados e indesejáveis
relativamente à mobilidade dessas populações e acarretando
agressões ao meio ambiente, dentre outros impactos negativos
não menos importantes.
As respostas ainda insatisfatórias encontradas, nesse domínio,
nos grandes centros urbanos e muito especialmente nas regiões
metropolitanas brasileiras constituem-se em fatores que
limitam a capacidade de desenvolvimento das mesmas que,
consideradas em seu conjunto, representam amplas parcelas
do PIB nacional assim como da população do Brasil. Ou seja,
as condições ainda inadequadas aqui observadas influenciam
negativamente o desenvolvimento local, regional e até mesmo
o desenvolvimento nacional.
Importante é ainda destacar que o conceito adotado no presente
texto para desenvolvimento engloba as discussões econômica,
ambiental e social. As conseqüências nefastas antes mencionadas
não se limitam portanto à questão do desenvolvimento econômico,
o que, por si só, já justificaria a implementação de importantes
avanços no referido setor.
Na dimensão social, provavelmente, se concentram os resultados
mais graves em relação à influência dos transportes urbanos
sobre o desenvolvimento. As populações dos grandes centros
e regiões metropolitanas, especialmente, estão submetidas
a uma inaceitável combinação entre serviços inadequados
– tanto em termos quantitativos quanto qualitativos – e
a incapacidade encontrada em importante parcela dessa população
quanto a acessar esses serviços, em geral pelo fato de não
conseguirem dispor dos meios financeiros suficientes para
cobrir os gastos compatíveis com suas reais necessidades
em termos de transportes.
Todas essas questões têm sido freqüentemente debatidas e
apontadas quanto à sua capacidade de prejudicar essas áreas
e suas populações. Ano após ano, e a tal ponto que a ocorrência
de mudanças efetivamente relevantes no setor passou a representar
uma esperança cada vez mais distante.
No momento atual, entretanto, não há exagero em reconhecer
o ressurgimento de expectativas quanto a novos avanços no
aprimoramento dos transportes urbanos no Brasil. Importantes
projetos encontram-se em realização e outros tantos estão
sendo examinados com vistas a iniciar-se suas implantações
a curto e médio prazo.
É nesse contexto que se colocam os projetos referentes aos
sistemas metroferroviários.
Capazes de oferecer níveis elevados de serviço assim como
de eficiência energética, esses sistemas se destacam por
suas capacidades de transporte, velocidades de percurso
e reduzidos impactos sobre o meio ambiente.
Os sistemas de transporte urbano de passageiros de caráter
metroferroviário vêm desempenhando no contexto internacional
um papel de relevância crescente nos processos de ampliação
e aprimoramento do setor de transportes.
O Brasil vem, por sua vez, evidenciando que essa linha de
concepção e consideração será – e cada vez mais – abraçada
no país.
E assim, no que concerne o Concurso de Monografias da CBTU,
cujo foco principal é a relação entre esses sistemas e o
desenvolvimento urbano, não há como deixar de reconhecer
sua condição de atualidade e estímulo à elaboração de estudos
pertinentes a um domínio de natureza indiscutivelmente estratégica.
Em sua terceira edição, o Concurso de Monografias despertou
interesse indiscutível entre pesquisadores atentos à questão
do desenvolvimento urbano e suas diferentes interfaces com
as características e o comportamento de sistemas de transporte
metroferroviário.
Não posso, desse modo, expressar-me de outra forma senão
pela grande alegria por poder, mais uma vez, participar
dessa iniciativa. Lançada sua quarta versão, é absoluta
minha certeza de que teremos nova vitória e mais um importante
conjunto de contribuições ao propósito e ao esforço de melhorar
os transportes urbanos de passageiros em nosso Brasil.
Raul De Bonis Almeida Simões
Presidente da Banca Examinadora do Concurso de Monografia
CBTU
Diretor de Planejamento, Expansão e Marketing
Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU
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