trem-anima

 

História da Ferrovia no Rio Grande do Norte 

 

Como isso ocorrerá?

O que será feito é uma integração com o sistema de ônibus, de forma física. As estações serão implantadas próximo aos terminais de ônibus, facilitando a locomoção e a utilização de outros veículos pela população. Em relação à integração tarifária, nada posso acrescentar, pois dependerá de decisões políticas administrativas de governos que virão no futuro. O ideal seria que o transporte ferroviário de passageiros fosse uma política de Estado. Assim, evitaria a descontinuidade dos projetos.

O VLT já é uma realidade para a população, quais são as próximas medidas a serem adotadas pela CBTU?

 

A CBTU começou a receber as composições do VLT no segundo semestre de 2014. Além da capacitação do pessoal, a CBTU passa, agora, a se preocupar principalmente com a melhoria da sua estrutura física, no tocante às estações e via férrea. Para o desenvolvimento desse trabalho foi realizada uma licitação, vencida pela empresa EPC Engenharia, tendo por objeto a elaboração de estudo que resultará no projeto executivo para a construção de 30 novas estações ao longo da região metropolitana de Natal, assim como a duplicação de alguns trechos da nossa linha férrea, permitindo a realização de um maior número de viagens e facilitando a integração física com os demais modais de transporte.

Haverá criação de novas linhas para o VLT futuramente?

Acredito que a implantação de novas linhas ocorrerão naturalmente, uma vez que o Governo Federal sinalizou para que a CBTU fizesse a gestão de todo o transporte ferroviário no RN. Se depender da vontade da STU/NAT, serão implantadas as novas linhas de VLT propostas, mas isso dependerá de uma deliberação da Direção Central da Companhia.

Para a segunda etapa do projeto, apresentamos, no plano estratégico da STU/NAT, uma linha que conecta a Ribeira ao Campus Universitário e outra que irá formar um anel na região central de Natal. A terceira etapa consiste na implantação de uma linha com destino ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante, formando um anel ferroviário metropolitano que ligará os municípios de Natal, Macaíba, Parnamirim e São Gonçalo. E a quarta etapa do projeto é relativa ao ramal sul, já existente, que se estende aos municípios de São José de Mipibu e Nísia Floresta.


O início da ferrovia no RN 

Presente já nas primeiras horas do dia de boa parte da população, o trem desempenha um papel fundamental na vida de muitas pessoas, possibilitando o ir e vir diário. Por ser um afazer tão recorrente, são poucas as vezes que paramos e refletimos sobre as mudanças significativas que as ferrovias causaram mundo afora. No Brasil, o progresso de algumas regiões está intimamente associado à implantação de sistemas ferroviários.

No nordeste brasileiro não foi diferente, mais precisamente no Rio Grande do Norte. Movidos pela necessidade de simplificar a locomoção dos habitantes e dinamizar a economia local, os governantes do RN viram na estrada de ferro a solução para tais questões. Os trens que começaram a cortar o estado trouxeram e levaram não só cargas e passageiros, mas novas perspectivas para a vida dos potiguares. A construção da ferrovia oxigenou a economia da região e, consequentemente, trouxe esperança para as comunidades, que viram nos trilhos uma alternativa aos infortúnios causados pela seca.

Durante as primeiras décadas de implantação do sistema ferroviário no estado, duas ferrovias foram construídas. A primeira foi inaugurada em 1881 e a segunda em 1906. 

Essas duas estradas de ferro compõem parte da história da ferrovia do RN, em momentos diferentes e tiveram fins distintos, cada uma com sua importância e trajetórias particulares. 

 



Os primeiros trilhos em terras potiguares 

A província do Rio Grande do Norte iria conhecer o real significado da palavra progresso no século XIX, com a implantação da primeira estrada de ferro do RN. Apesar de ter sido autorizada em 1873, a ferrovia só começou a ser construída anos mais tarde, em 1878. Os trilhos que partiriam rumo à Zona Agreste do estado começaram a ser erguidos em um local conhecido à época como Nau de Refoles, hoje Passo da Pátria. A coordenação da obra ficou a cargo do engenheiro Jason Rigbi. 

Servindo como transporte de cargas e meio de locomoção para as comunidades vizinhas, a estrada de ferro trouxe mudanças significativas para o modo de vida provinciano potiguar. Inaugurados em 1881, o primeiro trecho ferroviário (Natal/Nova Cruz) e a Estação Central de Natal (localizada na Praça Augusto Severo, bairro da Ribeira) apresentaram o sentido da palavra mobilidade aos moradores da região. Anos mais tarde, em 1901, o trecho Natal/Nova Cruz seria arrendado pela "The Great Western of Brazil Railway Company", como aconteceu com outras estradas de ferro pelo país. 

Se antes a população percorria grandes distâncias utilizando tração animal, a empresa tornou possível cruzar os Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco utilizando a ferrovia. Graças à construção da via férrea que ligava Nova Cruz à Independência (PB). A "Great Western" teve um papel fundamental para o desenvolvimento do comércio e das indústrias locais à época. 

 



A segunda Etapa da Ferrovia no RN 

Em meio a um cenário de desolação, causado pela grande seca, surge a Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte (E.F.C.R.N.), no início do século XX. A princípio, a ferrovia foi idealizada com o intuito de dinamizar o comércio do RN. Capital e interior, que detinham os principais pólos econômicos da região, seriam interligados, viabilizando o ir e vir de cargas e passageiros. 

A lei que consentia a construção da ferrovia foi autorizada em 1870, após reivindicações dos senhores de engenho. Mas foi em 1904 que os trilhos começaram a ser traçados em direção a Ceará-Mirim, com a supervisão do engenheiro Sampaio Correia. 

O principal objetivo da empreitada era interiorizar a economia do RN, viabilizando a ligação da capital com Ceará- Mirim, que detinha 60% da produção de cana-de-açúcar de todo o estado. 

Consequentemente, os efeitos da grande seca seriam minimizados, já que a construção serviria como frente de trabalho para o homem do campo. 

O trecho Natal/Ceará- Mirim foi inaugurado em 1906 pelo então presidente eleito, Afonso Pena. 


A ferrovia e a ponte sobre o rio Potengi 


 

Em 20 de abril de 1916 é construída a Ponte sobre o Rio Potengi, que viria a ser um momento marcante para a história da ferrovia e de Natal. Erguida em cima do estreito de Refoles, a ponte permitiu a passagem dos trens da Estação de Ferro Central, sendo a única ligação da capital com o Vale Açucareiro. Durante muitos anos, a ponte do Potengi foi considerada a maior do nortenordeste do Brasil, com uma extensão de 550 metros. 

Após a construção da ponte, uma nova Estação Natal é inaugurada, em 2 de junho de 1917, localizada na Travessa Aureliano Ribeiro, no bairro da Ribeira. Juntamente com esta estação, foram inauguradas as oficinas localizadas ao lado do prédio administrativo da E.F.C.R.N, na Esplanada Silva Jardim, no bairro das Rocas. 


 


Estrada de Ferro Sampaio Correia 

Através do decreto lei nº 1.475, de 3 de agosto de 1939, a "Great Western" foi arrendada pela Estação de Ferro Central do Rio Grande do Norte. A partir do dia 5 de novembro de 1939, a linha férrea, que ligava Natal ao município de Nova Cruz, passa a circular sob o comando da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte. 

Futuramente, o sistema ferroviário passaria a se chamar Estrada de Ferro Sampaio Correia, em homenagem ao engenheiro responsável pelo projeto da via férrea. Em 1957, a Estrada Sampaio Correia tornouse uma das 18 ferrovias regionais que compunham a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), sociedade de economia mista, controlada pelo Governo Federal e vinculada ao Ministério dos Transportes, transportando mais de 80 milhões de toneladas de carga por ano. O sistema ferroviário gerido pela RFFSA tinha papel fundamental para o desenvolvimento de diversos setores da economia brasileira. 

Nos anos seguintes, a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) juntamente com Empresa de Engenharia Ferroviária S.A. (ENGEFER) dariam origem à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que passaria a realizar o transporte de passageiros. 



Você sabia que só era possível atravessar a ponte sobre o Rio Potengi de trem? 

Em um primeiro momento, a ponte foi construída apenas com o intuito de viabilizar a travessia do trem sobre o Rio Potengi. Porém, com o passar do tempo, uma alternativa foi criada sobre os trilhos para viabilizar a passagem dos automóveis, que começavam a circular pela cidade. 

A curiosidade dessa alternativa é que somente um carro poderia passar sobre a ponte de cada vez. 



A CBTU Natal 

A trajetória da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, CBTU, teve início em 22 de fevereiro de 1984, quando surgiu com a missão de gerir um sistema ferroviário capaz de atender às necessidades de deslocamento da população. O novo formato administrativo incorporado à ferrovia contribuiu para o desenvolvimento dos setores produtivos da sociedade e na melhoria de qualidade de vida nos centros urbanos. 

Em setembro de 1993, a CBTU deixa de ser subsidiária da RFFSA, tornando-se uma empres a liga da diretamente ao Ministério dos Transportes. Em 2003, a Companhia passa a ser vinculada ao Ministério das Cidades, e sua missão passa a ser focada na modernização e expansão dos sistemas de trens urbanos. A CBTU opera os sistemas de trens de passageiros nas cida desde Recife , Belo Horizonte, João Pessoa, Natal e Maceió. 

A Superintendência de Trens Urbanos de Natal foi criada em 1988 com o intuito de gerenciar o sistema de transporte de passageiros sobre trilhos, no RN. Atualmente, a Superintendência atende aos municípios de Natal, Parnamirim, Extremoz e Ceará-